🔮 O jogo dos 100 000: adivinha o dia em que o OnBouge passa as 100 000 visitas humanas — os 3 mais próximos ganham 1 ano de Premium.Aposto →
a plataforma de vida localEntrar📱App RadioEm direto Espaço proPros
🌐 PT▾
OnBouge

As viagens da Palmi

A Palmi é uma andorinha. Parte no inverno, volta na primavera — e volta com uma canção que ninguém aqui tinha ouvido.

OnBouge TV — Viagens da Palmicanal inteligente →
📅 Agenda

O que fazer perto

Ver a agenda →

🗞️ Anúncios

Entre vizinhos

Anúncios →

📣 Anúncio nacional

A sua marca em todo o site

Um só anunciante de cada vez. →

🟠 Lugar patrocinador LIVRE · Viagens da Palmi

A sua marca aqui

Visibilidade local. →

⭐ Em destaque

Cada escala é um lugar real, uma língua real, e um fio que a liga a Portugal — uma palavra, um entreposto, uma dança. Nada é inventado, e é ela quem conta.

O fio, e é verdadeiro: Portugal e o Punjab dizem a mesma palavra para o chá

Em português diz-se chá. Em punjabi, chāh. Não é uma semelhança de som: é a mesma palavra, chegada pela mesma rota.

Por Macau — a porta portuguesa

  • Portugaischá
  • Pendjabichāh
  • Hindichāy
  • Persanchāy
  • Turcçay
  • Russechaï
  • Arabeshāy
  • Swahilichai
茶O mesmo carácter

Por Amoy — a porta holandesa

  • Néerlandaisthee
  • Anglaistea
  • Françaisthé
  • Espagnolté
  • AllemandTee
  • Italientè
  • Danoiste
  • Suédoiste

O português é a única grande língua da Europa Ocidental a dizer chá — porque Portugal comprava o seu chá em Macau, quando os holandeses, e atrás deles a Inglaterra, a França e a Espanha, o compravam em Amoy — hoje Xiamen, na China — mais a norte, onde o carácter se pronunciava de outra maneira.

O itinerário

Dez escalas, escolhidas por uma só regra: existe um elo histórico real entre esse lugar e Portugal, e esse elo ainda se ouve na música de hoje.

Pendjab Índia canção pronta

ਪੰਜਾਬੀ · pendjabi

O chá diz-se chāh em punjabi e chá em português. Mesmo carácter chinês, mesma rota: a de Macau.

«A história do chá da feira» — uma canção de mercado, cantada na língua do lugar.

Pousei as patas numa banca, entre três copos de chá a ferver. Diziam chāh. Julguei ouvir a minha avó em Lisboa.
🎵 O instrumento daqui
Goa Índia em breve

कोंकणी · konkani

Portuguesa de 1510 a 1961: quatro séculos e meio, mais tempo do que muitas províncias da Europa.

O mando: uma canção de amor em concani, em compasso ternário, prima direita do fado.

Aqui as igrejas têm nomes que sei ler, e as pessoas cantam uma tristeza que conheço. Não precisei que me traduzissem.
🎵 O instrumento daqui
Macao China em breve

廣東話 · cantonais, patuá

O entreposto de onde o chá — e o seu nome — partiram para Lisboa.

O patuá, crioulo português de Macau, hoje falado por um punhado de pessoas.

Foi daqui que a palavra partiu. Uma caixa de folhas, um barco, e seis meses depois Lisboa inteira dizia chá.
Malacca Malásia em breve

kristang

Um crioulo português ainda falado cinco séculos depois da passagem das caravelas.

O branyo, que se dança como um corridinho do Algarve — do outro lado do mundo.

Um senhor idoso falou comigo e percebi tudo. Ele não sabia que falava quase português. A família dele também não, há quinhentos anos.
Sri Lanka Sri Lanka em breve

සිංහල · cingalais

O contacto português do século XVI deixou uma comunidade, apelidos, e uma música.

O baila: nascido desse encontro, e ainda o que se põe no fim dos casamentos.

No fim do casamento, quando toda a gente estava cansada, puseram o baila. Ninguém se sentou.
Timor Timor-Leste em breve

tétum · português

O português é aí língua oficial, a quinze mil quilómetros de Lisboa.

O fim da estrada: a última escala antes de a andorinha voltar para norte.

O fim do mundo fala a minha língua. Fiz quinze mil quilómetros para ouvir «bom dia».
Nagasaki Japão em breve

日本語 · japonais

Os portugueses aí deixaram o pão e a tempura — palavras que ainda se comem.

Uma língua que quase nada pediu emprestado, e que guardou mesmo assim estas palavras.

Ofereceram-me pão. Dizem pan. E um frito leve a que chamam tempura. Não tive de explicar nada.
Maputo Moçambique em breve

português · xichangana

Na própria rota da andorinha: é na África austral que ela passa o inverno.

A marrabenta, nascida nos subúrbios, guitarra improvisada e ancas que não pedem licença.

É aqui que passo o inverno, desde sempre. Não é uma escala para mim: é a minha segunda casa.
Mindelo Cabo Verde em breve

kriolu

Dez ilhas de língua portuguesa plantadas no meio do Atlântico, na rota das aves.

A morna — a saudade que atravessou o oceano e nunca voltou realmente.

Dez ilhas no meio da água, e uma música que fala de partir. Sabem bem o que é estar sempre entre dois lugares.
🎵 O instrumento daqui
Bahia Brasil em breve

português do Brasil

O outro sentido da viagem: a língua é a mesma, o sotaque apanhou sol.

O regresso ao ninho — em português, mas já não bem o da partida.

A mesma língua, outro sol. Cantam mais alto do que em casa, e acho que têm razão.
🎵 O instrumento daqui

1 escala em 10 já tem a sua canção. As outras estão a ser escritas — a página vai-se enchendo.

A primeira escala sai a 2 de outubro

Mele Di Chah Wali Gall — FOGO E LUA. Uma canção de feira de aldeia, em punjabi: um rapaz chega ao mercado com o turbante de lado, a barraca do chá anima-se, os olhares cruzam-se. A palavra que dá o título à canção, chāh, é a mesma que o nosso chá.

Disponível em todas as plataformas. EAN 4071624146128

Perguntas que nos fazem

Porque se diz «chá» em português e «thé» em francês?

Porque as duas palavras não chegaram pelo mesmo porto. O português foi buscar a sua a Macau, onde o carácter 茶 se pronuncia cha; os holandeses, que abasteceram o resto da Europa Ocidental, compravam em Amoy, onde o mesmo carácter se diz tê. Daí vêm thé, tea, té, Tee e tè.

O português é a única língua da Europa Ocidental a dizer «chá»?

Sim, entre as grandes línguas da Europa Ocidental. O português partilha a sua palavra com o persa, o hindi, o punjabi, o turco, o russo, o árabe e o suaíli — todos do lado da rota terrestre e de Macau — enquanto os seus vizinhos imediatos dizem todos thé, tea, té ou Tee.

Que territórios da Ásia foram portugueses?

Goa, Damão e Diu na Índia até 1961 — Goa desde 1510, ou seja quatro séculos e meio. Macau até 1999. Malaca de 1511 a 1641. Timor-Leste até 1975, onde o português continua língua oficial. Restam crioulos, apelidos, receitas e músicas.

Onde é que ainda se fala um crioulo português hoje?

Em Cabo Verde e na Guiné-Bissau, mas também muito mais longe: o kristang em Malaca, na Malásia, o patuá em Macau, e vestígios no Sri Lanka. Estas línguas nasceram do contacto, não da conquista — e várias já só se seguram por algumas centenas de falantes.

Para onde vão as andorinhas no inverno?

As andorinhas-das-chaminés da Europa passam o inverno na África subsariana; as da Ásia Central descem até ao subcontinente indiano. Percorrem vários milhares de quilómetros e voltam ao mesmo ninho, muitas vezes debaixo do mesmo telhado do ano anterior.

Porquê uma andorinha

Porque a viagem não é uma metáfora. A andorinha-das-chaminés deixa a Europa todos os outonos rumo à África austral; as da Ásia descem até ao subcontinente indiano. Percorrem milhares de quilómetros e voltam ao mesmo ninho, debaixo do mesmo telhado.

É exatamente o que fazem as famílias que este site acompanha desde o início: partem, voltam, guardam o elo. A Palmi apenas traz as canções da viagem.

Conhece uma escala que nos falta?

Um lugar, uma língua, uma música que guarde um traço português: diga-nos, a andorinha vai lá ver.

📍 Dizer-nos

Mundivaga — o grupo que a Palmi acompanha

Cada escala trouxe uma voz, e cada voz trouxe o seu instrumento.

Eu não canto. Apresento-vos quem canta.

Alex PHOENIX

Alex PHOENIX

Portugal · fundador · produtor

Guitarra portuguesa — 12 cordas em 6 ordens

Ele guarda o porto. Tudo parte daqui, tudo aqui volta.

Fundador da editora Alex PHOENIX Music e produtor dos Mundivaga. No grupo, representa Portugal: a guitarra portuguesa, o fado, e a mesa de mistura onde cada escala se torna canção.

canta em portugais, français

O Alex é o porto. Quando volto, é a luz dele que procuro primeiro.

Maya Luna

Maya Luna

Cabo Verde (Mindelo) · fundadora

Cavaquinho — 4 cordas; a morna, prima do fado

A voz que faz subir as marés.

Voz feminina da editora, Maya Luna representa nos Mundivaga a escala de Cabo Verde: dez ilhas no meio do Atlântico, na rota das aves, onde a morna é prima do fado.

canta em portugais, français, créole capverdien

O Mindelo fica no meu caminho. A Maya espera-me no cais com uma canção que fala de partir.

Tonton la Route

Tonton la Route

França · fundador

Acordeão — o baile, o camião, a paragem

Eu conduzo. Os outros sobem atrás com os instrumentos.

Animador da rádio OnBouge, o Tonton la Route é o motorista dos Mundivaga. Representa a França, o acordeão e os quilómetros: é ele que leva o grupo de terra em terra.

canta em français, portugais

O Tonton não voa, conduz. Mas chega sempre antes de mim.

Clara entre deux rives

Clara entre deux rives

Brasil (Bahia) · fundadora

Berimbau — uma corda, uma cabaça, o caxixi

A mesma língua que Portugal. O sotaque só apanhou sol.

Animadora da rádio OnBouge, a Clara representa nos Mundivaga a outra margem do Atlântico: a Bahia, o berimbau e a roda. Suave na antena, é ela que põe toda a gente a dançar.

canta em portugais du Brésil, français

A Bahia é o fim da minha viagem. A Clara canta, e eu sei que está na hora de voltar.

Mika

Mika

Japão (Nagasaki) · fundador

Koto — 13 cordas, cavaletes móveis

Envio as cartas e escrevo as partituras. As duas viajam.

O Mika é o assistente que assina o correio da OnBouge. Nos Mundivaga representa Nagasaki, a cidade onde os portugueses deixaram o pão e a tempura, e escreve os arranjos de todo o grupo.

canta em japonais, français, portugais

O Mika escreve o que eu trago. Sem ele, as minhas canções ficariam só recordações.

Virginie

Virginie

Canadá (Quebeque) · fundadora

Violino — a giga, o serão, o pé que bate

Lá em casa, o inverno dura seis meses. Aprendemos a dançar lá dentro.

A Virginie é a assistente da Élan Entreprendre. Nos Mundivaga representa o Canadá francófono e o violino dos serões: o impulso é ela.

canta em français du Québec, anglais

Nunca vou tão longe como a casa da Virginie. É ela que vem ter comigo.

Jaspreet

Jaspreet

Índia (Punjab e Goa) · convidada

Tumbi — uma só corda tocada com o indicador; dhol

Sou eu, a rapariga da barraca de chá da feira.

Primeira convidada dos Mundivaga, a Jaspreet nasceu da primeira canção que a Palmi trouxe: a história do chá da feira. Representa a Índia, o tumbi e o dhol do bhangra.

canta em pendjabi, hindi, anglais

Foi a primeira canção que trouxe. E a primeira pessoa que trouxe com ela.

Tomás Lei

Tomás Lei

China (Macau) · convidado

Erhu — 2 cordas, o arco preso entre as cordas

O chá partiu da minha terra para Lisboa. A canção faz o caminho ao contrário.

Nome português, apelido cantonês: o Tomás Lei é macaense. Nos Mundivaga representa Macau e o erhu, o violino de duas cordas cujo arco nunca se separa.

canta em cantonais, portugais, patuá

Em Macau percebi de onde vinha a palavra chá. O Tomás explicou-mo a cantar.

Nélia

Nélia

Moçambique (Maputo) · convidada

Timbila — o xilofone dos Chopes, património da UNESCO

É aqui que a andorinha passa o inverno. Parte com um ritmo a mais.

A Nélia representa Moçambique, onde a andorinha da Europa passa mesmo o inverno. A sua timbila, o xilofone dos Chopes, é o primeiro instrumento que os Mundivaga acrescentam ao catálogo.

canta em portugais, changana

Em casa da Nélia não estou de passagem. Fico lá o inverno inteiro.

Nona de Malaca

Nona de Malaca

Malásia (Malaca) · convidada

Rebana e viola — o branyo, a dança dos Kristang

Quinhentos anos depois, fala-se lá um português que Lisboa já não reconhece.

A Nona de Malaca representa a Malásia e o papiá cristão, a língua dos descendentes dos portugueses de 1511. Dança o branyo, com a rebana na mão.

canta em papia kristang, malais, anglais

Em casa da Nona ouvi palavras da minha terra numa boca que nunca viu o Tejo.

Dário de Ceilão

Dário de Ceilão

Sri Lanka (Ceilão) · convidado

Guitarra e rabana — o baila, o kaffringha

Uma festa pode sobreviver a um império. Esta durou cinco séculos.

O Dário de Ceilão vem dos burgueses portugueses do Sri Lanka. Canta o baila e o kaffringha, uma festa nascida dos barcos e que ficou muito depois deles.

canta em cinghalais, anglais, portugais

Em casa do Dário ninguém me perguntou de onde vinha. Perguntaram-me se sabia dançar.

Alita de Timor

Alita de Timor

Timor-Leste (Díli) · convidada

Babadok — o tambor do tebe-tebe, a roda ombro com ombro

Aqui o português não foi imposto: foi escolhido, depois.

A Alita de Timor traz o tétum e o babadok. O seu país fez do português língua oficial depois da ocupação — uma língua retomada, não herdada.

canta em tétoum, portugais, indonésien

Em casa da Alita percebi que uma língua pode ser um abrigo, não apenas um rasto.

Página da rede OnBouge — as rotas que ainda ligam, e o que se traz da viagem.

Descobrir também